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Bradesco sobe o juro do financiamento imobiliário para 15% ao ano: o que muda para quem vai comprar
A taxa mínima para a maioria dos clientes passou de 11,69% para 15% ao ano mais TR, de uma só vez. Veja o efeito na parcela, por que a mudança afeta o uso do FGTS e o que conferir antes de escolher o banco.
Por Angélica Jenevain ·

O Bradesco elevou de uma só vez a taxa mínima do financiamento imobiliário para a maioria dos clientes: de 11,69% para 15% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), segundo a revista Exame. São 3,3 pontos percentuais, num mercado em que as taxas costumam mudar aos poucos. Em nota, o banco atribuiu o reajuste à alta dos juros no mercado e disse que as condições finais são negociadas caso a caso.
A alta também alcança a clientela de alta renda. A taxa de 15% vale inclusive para o segmento Prime. Só o segmento Private, de clientes com patrimônio acima de R$ 10 milhões, tem piso menor: 13,6% ao ano + TR, ante 11,45% antes do reajuste. Ou seja, mesmo para quem compra imóvel de alto padrão, o crédito do banco ficou mais caro em todos os segmentos.
O movimento chama atenção porque vai na direção contrária à da taxa básica: o Banco Central reduziu a Selic pela quinta vez seguida em 16 de setembro, para 13,75% ao ano.
Quanto pesa na parcela
Veja a conta para um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, pela tabela SAC (sem TR, seguros e tarifas):
- a primeira parcela passa de cerca de R$ 6.020 para R$ 7.250;
- os juros pagos ao longo do contrato sobem de cerca de R$ 835 mil para R$ 1,06 milhão;
- quem precisa manter a primeira parcela em torno de R$ 6.000, por limite de renda, consegue financiar cerca de R$ 415 mil, e não R$ 500 mil. A diferença teria de sair da entrada.
E o FGTS?
A lei limita a 12% ao ano os juros dos financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação, o SFH (Lei nº 8.692/1993, art. 25). Acima disso, o contrato fica fora do SFH, no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), de taxas livres.
Isso importa porque o uso do FGTS na compra da moradia exige que a operação seja financiável nas condições do SFH (Lei nº 8.036/1990, art. 20, VII, “b”). Com taxa de 15%, o uso do fundo nessa operação pode ficar comprometido. Quem conta com o FGTS deve confirmar com o banco antes de escolher.
O que observar
- Simule em mais de um banco, com a mesma entrada e o mesmo prazo, e compare o Custo Efetivo Total (CET), que inclui seguros e tarifas, e não só a taxa.
- Confira se a operação fica no SFH quando for usar o FGTS.
- Faça a simulação de crédito antes da proposta, para negociar o preço sabendo quanto o banco aprova.
- Na compra na planta, lembre que o saldo é financiado na entrega das chaves, com a taxa daquele momento.
Com o financiamento mais caro, a escolha do banco e a simulação feita cedo pesam tanto quanto o preço do imóvel. Se você está planejando comprar em Florianópolis, me chame para conversarmos sobre o imóvel que você procura.



